A Ausência No dia 16 de dezembro de 2006 acordei tarde, e algum compromisso esquecido tentava me incomodar, mas não chegava a isso.
No dia seguinte, a mesma sensação, mais forte, mais presente, e, enfim, o momento do retorno: a lembrança.
Repentinamente, a memória me levou a um daqueles momentos em que se olha para o vazio: "Eu não fui à festa", pensei. "Essa pode ter sido a última oportunidade de ver minha tia-avó viva, no almoço de natal do asilo".
A partir de hoje, não há outra chance.
Os momentos em que me pego olhando para o vazio estão aumentando...
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A Polícia Militar foi chamada para atender uma ocorrência na favela de Brasilândia. Chegando lá, os policiais encontraram uma mulher em trabalho de parto.
A tia da gestante comentou:
- Ninguém aqui sabia que ela tava grávida, acho que nem ela sabia...
1 motivo pelo qual a humanidade merece ser exterminada.
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foi como buscar por um tesouro durante anos e, ao chegar bem perto de conquistá-lo, ser picado por uma cobra venenosa, mas não perigosa...
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Confessei, aqui, um crime, há algum tempo.
À noite, um pesadelo me trouxe a vingança daqueles que tirei a vida.
Enquanto tentava dormir na minha cama, no sonho, eu era atormentado na sala por duas criaturas aladas. No início, aparentavam ser insetos pentelhos comuns, como o mosquito que rodeia a pessoa em busca de menos de uma gota de sangue. As investidas aéreas, porém, não podiam ser evitadas, o que era desesperador já que eu tinha a sensação de que aqueles ataques seriam fatais. Seres demoníacos controlavam a situação, infestando de medo um ambiente que era incontavelmente mais espaçoso do que seus corpinhos ferozes e violentos. Sua cor verde, brilhante e metálica tinha a tonalidade de um pavão do tamanho de uma mosca - era fosforescente - e, só assim, eu conseguia enxergar os pontos de que me esquivava. Se escapava ileso de um "vaga-lume sem interruptor", não adiantava, pois a outra mini-besta surgia, e me guiava em passos de dança não ensaiados de aflição.
Por um momento, pousaram, paralelamente, sobre a verticalidade de uma parede branca. Abriram suas asas. Eram membranas coloridas, muito mais sortidas do que a paleta de cores de um computador de boa qualidade. Cada um dos bichos possuía um desses surpreendentes pares de asas em forma de concha, que afunilavam-se em gargantas que lembravam a boca de uma jarra, e ligavam-se a seus corpos diptéricos.
Enfim, pousados, um deles defecou.
Pude notar isso porque o grosso cortou o ar com a mesma sutileza do derramar intestinal da ave: gentil e silenciosamente, mas robusto, quase em câmera lenta. A regra só não foi seguida no quesito "discrição", já que a pasta provinha da dimensão de um cu de inseto.
Me pareceu uma afronta!
Novamente, tive que ser impiedoso.
Será que existe pena para um mesmo crime, que foi cometido em sonho?
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Hoje, por uma estranha circunstância da vida, a fístula permaneceu, mas não apareceu. Sua posição na dobra do braço, o tamanho do agasalho e o frio contribuíram para que a anomalia fosse acovardada diante da situação.
Ela sabe!
Amanhã, minha inimiga pulsante vai ficar "na dela".
Como a água que foge da represa através de uma rachadura, o sangue voltará a fluir pelo habilidoso fendimento da mão com um bisturi.
A esta altura, nenhuma filosofia porca (como essa, acima) é capaz de descrever a minha felicidade... e ansiedade.
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Quero ler isso, daqui a algum tempo:
Hoje estou no hospital, internado.
Tomei uma decisão e estou registrando isso na Internet para ter uma idéia da violência do tufão do amanhã causado pelo abanar de asas da borboleta de hoje.
Não estou apreensivo... agora.
Por enquanto.
Afinal, é um cirurgia que, na minha cabeça, envolve muito derramamento de sangue.
Será a coisa certa a fazer.
Eu não vou me lamentar diante do monitor...
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Alguns crimes podem ser justificados.
Você chega em casa, após horas de trabalho. E nas cinco horas seguintes em que tenta descansar, um trio de pernilongos fica voando em torno da sua cabeça.
Foram três camisetadas certeiras, e não me arrependo.
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Deveríamos ter a capacidade de conseguir fazer tudo exatamente ao contrário do que gostaríamos de fazer.
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Se a sua semana se resume a segunda - terça - quarta - quinta - sexta - sábado - domingo, pode crer que há alguma coisa muito errada em sua vida.
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